Como igreja confessional e confessante, a Igreja Luterana tem consciência do que crê , ensina e confessa. A Igreja Evangélica Luterana do Brasil ( IELB), de acordo com o Capítulo II, Artigo 3o de seus Estatutos , assim define os seu fundamentos doutrinários: “A IELB aceita todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas, do Antigo e do Novo Testamento como palavra infalível, revelada e inspirada por Deus. Como única exposição correta da Escritura Sagrada aceita ela os livros simbólicos da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro de Concórdia do ano de 1580, e não admitirá alteração alguma desta norma.” Os Livros Simbólicos, que se encontram reunidos no Livro de Concórdia de 1580, dividem-se em confissões universais e confissões luteranas. O primeiro grupo é formado pelos três Credos Ecumênicos, aceitos e confessados por todas as igrejas cristãs: 1 – Credo Apostólico – data desconhecida 2 – Credo Niceno – ano 325 3 – Credo Atanasiano – século V. Além destas “confissões breves e categóricas, que foram consideradas como a fé e confissão unânimes, universais, cristãs da igreja ortodoxa e verdadeira” ( Livro Concórdia, p. 499), a Igreja Luterana aceita mais seis documentos, elaborados pelos teólogos luteranos do século XVI: 1 – Catecismo Maior – Lutero 1529 2 – Catecismo Menor – Lutero 1529 3 – Confissão de Augsburgo – Melanchton, 1530 4 – Apologia de Augsburgo – Melanchton, 1531 5 – Artigos de Esmalcalde – Lutero , 1537 6 – Fórmula de Concórdia – Equipe de Teólogos, 1577
História e Ensino das Confissões Luteranas As Confissões Luteranas são os credos especiais adotados pelos luteranos como seu testemunho da verdade divina. Elas têm sua origem na reforma que Lutero promoveu na igreja cristã. I – Os Credos Ecumênicos 1 – O Credo Apostólico – este Credo é considerado, a mais antiga das três confissões gerais do cristianismo. O texto do Credo Apostólico, como o temos hoje, data do século VIII. Trata-se porém, de uma revisão do assim chamado Credo Romano, que estava em uso no Ocidente no século III. Neste Credo confessa-se a unidade trinitária. Deus Pai é o Criador; Deus Filho é o Redentor; e Deus Espírito Santo é o Doador da vida. E continua ainda hoje no seu uso como no passado: como confissão batismal, como esboço para o ensino, como guarda e guia contra falsos ensinamentos; como resumo da fé, como confissão de fé no culto. É chamado Credo Apostólico porque apresenta as doutrinas fundamentais da Escritura, conforme registrada pelos bem-aventurados apóstolos.

Rosa de Luterno

O Credo Niceno

Tem essencialmente, o mesmo conteúdo doutrinário do Credo Apostólico. A diferença é que ele confessa, mais detalhadamente, a doutrina do Deus Triúno e sua graciosa obra salvadora. O propósito original do Credo Niceno foi rejeitar os erros daqueles que negavam a Santíssima Trindade, especialmente a divindade de Jesus Cristo. O Credo Niceno é, na verdade, a principal Confissão de Fé da igreja cristã. Sua origem não é tão antiga quanto a do Credo Apostólico. Na sua versão mais curta (sem a 3a parte principal) ele surgiu no concílio de Nicéia (Ásia Menor) em 325 para defender doutrina da divindade de Cristo contra Ario, que ensinava que houve um tempo em que o Filho de Deus não existiu. A versão mais completa (com o 3o Artigo Principal) surgiu no Concílio de Constantinopla em 381 para reafirmar a doutrina bíblica do Espírito Santo. Oficialmente, no entanto, o Credo Niceno-Constantinopolitano foi aceito apenas em 451 no Concílio da Calcedônia. O Credo Niceno, porém estava destinado a sofrer dois novos acréscimos. A igreja ocidental o aceitou com a emenda “Deus de deuses”, que constava do original e foi omitida. Também o acréscimo do Filloque, ou seja, “e o filho”, que foi acrescido ao terceiro artigo. A forma ampliada foi homologada pelo Concilio da Calcedônia em 451 a .C . E assim o mesmo é usado por luteranos, anglicanos e católicos até os nossos dias.

O Credo Atanasiano

Não se sabe quando e onde este credo foi composto. Certo é que não foi composto por Atanásio, o grande teólogo do século IV. Muitos supõem que tenha sido preparado em seu tempo, ainda que pareça mais provável que seja do século V ou VI e seja de procedência ocidental. Em seu conteúdo, o Credo Atanasiano resume, em breves e enfáticas afirmações, a doutrina da Santíssima Trindade e, em particular, da pessoa de Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem em uma só pessoa.

Catecismo Menor

É um livro que instrui por meio de perguntas e respostas. Foi escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo (Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; O Ofício das Chaves e a Confissão; O Sacramento do Altar (Santa Ceia).Estas doutrinas foram tiradas da Escritura Sagrada. Este pequeno manual de instrução foi escrito para preparar os pastores, os quais, antes da reforma, aprenderam pouco da doutrina cristã, conforme ensinada na Bíblia. Além disto, os pastores deveriam usar o manual de perguntas e respostas na instrução de jovens e velhos. Também deveria ser usado para instrução de professores em suas escolas e por pais nos lar. O que Lutero queria com este manual era treinamento cristão para o lar.

catecismo1[1]

Catecismo Maior

Foi publicado em abril de 1529. Este catecismo é relativamente desconhecido dos cristãos. No entanto foi o primeiro livro de instrução a ser elaborado. Difere do Catecismo Menor em alguns aspectos. Foi escrito na forma de explanação contínua, e não em perguntas e respostas. Dedica um espaço maior para a exposição dos Dez Mandamentos. Lutero foi um existoso reformador, professor, pastor, autor e compositor de hinos. Movido pelo seu profundo e vivo interesse na difusão da palavra de Deus, ele compôs seu Catecismo Maior para ser usado por pastores, professores e pais na promoção da causa da educação cristã entre os homens. O Catecismo Maior deveria trazer material suplementar para os que ensinavam o Catecismo Menor. Lutero pretendia que ele fosse usado na igreja, na escola e no lar.

Catecismo Maior

Confissão de Ausburgo

No dia 23 de junho de 1530, o imperador Carlos V convocou os seguidores de Martinho Lutero para uma reunião em Augsburgo. Essa reunião, assistida pelos líderes religiosos e políticos do reino de Carlos V, tinha por finalidade encerrar definitivamente a disputa religiosa entre católicos romanos e luteranos na Alemanha. A 25 de junho de 1530, os luteranos apresentaram sua declaração de fé. A Confissão de Augsburgo foi escrita por Felipe Melanchton, professor e colega de Lutero. A confissão estava baseada em artigos de fé, redigidos por teólogos luteranos, especialmente por Lutero. A Confissão de Augsburgo consiste de 28 artigos. Destes, os Artigos 1 a 21 apresentam a doutrina luterana. Os Artigos 22 a 28 tratam dos abusos medievais que os luteranos corrigiram. A Confissão de Augsburgo enfatiza doutrina da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, como o centro da fé cristã. Ela anuncia, em todas as partes, o Cristo glorioso, que morreu por nós, e ressuscitou, e que é o único Salvador de todos os homens.

Confissão de Augsburgo - A 23 de junho de 1530, imperador Carlos V convocou os seguidores de Martinho Lutero para uma reunião em Augsburgo.

 

Apologia da Confissão de Augsburgo

Os adversários de Lutero ficaram bastante perturbados quando ouviram a Confissão de Augsburgo. Agora estava provada a falsidade dos mesmos. Não quiseram aceitar os ensinos de Lutero. Por isso o Imperador indicou cerca de vinte dos principais teólogos do partido papal para redigirem uma resposta em forma de refutação ao documento luterano. Esta recebeu o nome de Confissão Romana e foi lida no dia 03 de agosto de 1530. Os partidários da Confissão de Augsburgo decidiram preparar uma resposta à Confissão Romana. Esta reposta foi preparada por Felipe Melanchton. A Apologia foi publicada no fim de maio de 1531. A princípio tida como publicação particular de Melanchton, tornou-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a Confissão de Augsburgo, em Esmalcalde, em 1537. A Apologia é um importante comentário contemporâneo da Confissão de Augsburgo. 

Artigos de Esmalcalde

No dia 11 de dezembro de 1536, Lutero foi instruído, pelo Eleitor da Saxônia a preparar uma exposição indicando os artigos de fé nos quais poderiam ser feitas concessões por amor à paz, e os artigos nos quais nenhuma concessão poderia ser permitida. Lutero imediatamente começou a trabalhar no que veio a ser chamado de Artigo de Esmalcalde. Em 28 de dezembro o documento estava pronto e foi revisado por um pequeno grupo de teólogos reunidos em Wittenberg. O documento foi levado para Esmalcalde em 08 de fevereiro de 1537. Os artigos deste documeto foram assinados por muitos membros do clero que participaram da Dieta Esmalcalde – Concílio, como adesão à fé expressa neles. 

Fórmula de Concórdia

Elaborada por uma equipe de teólogos em 1577. Esta fórmula é a Repetição e Declaração, pura, correta e final de alguns Artigos da Confissão de Augsburgo nos quais por algum tempo houve desacordo entre alguns teólogos adeptos dela, resolvido e composto sob a orientação da Palavra de Deus e do conteúdo sumário do ensino cristão Depois de tantos manuais e documentos, finalmente, em 25 de junho de 1580, cinqüenta anos após o dia da leitura de Confissão de Augsburgo diante de Carlos V, o Livro de Concórdia completo com todos os manuais e documentos foi colocado em circulação. Aceito pelos Luteranos como exposição correta das Sagradas Escrituras. O objetivo deste livro ser um instrumento de bênçãos ao povo de Deus.